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instinto, puerpério e outras bads

“Não quero ter filhos nunca porque medelz não tenho instinto materno”

Mig, veja bem. Eu não tô defendendo que todo mundo tem que ter filhos cruzes essa é a sua salvação. Não quer, não queira.
É que essa do não-tenho-instinto não cola.

Eu sou filha única, criada por pais que trabalhavam fora. Meu pai, inclusive, por vários anos morou em uma cidade diferente procurando maior conforto financeiro pra família. Eu tinha como lema “notas boas = clima bom em casa” e, mesmo nunca sendo a aluna mais brilhante, tive uma experiência escolar memorável.
Sempre fui MUITO na minha e, por motivos N, eu e meus pais não somos próximos de nenhum dos dois lados da família, o que me privou de ter contato com crianças durante toda a vida. E quando isso acontecia, mig, sai de baixo. eu bufava. “Criança é um atraso!” “Não entendo porque pessoas procriam!”

Sacou o retrato? Eu fui criada pra estudar. Pra trabalhar. Ser independente , ter dinheiro, viajar, ter amigos, ser realizada comigo mesma. E isso aconteceu. E acontece com muita gente em volta de mim. Nessa equação toda óbvio que não cabe criança. Um filho te impede sim de fazer muita coisa que quando você é carefree você faz sem dar satisfação a ninguém.

Esse, aliás, foi o mote do meu puerpério. Foi um período de luto pela MF que tava morrendo ali e dando espaço à mami MF. Foi complexo, complicado, verteu muitas lágrimas e rendeu muitas brigas. Francisco não foi planejado e veio no meio de uma catarse terrível que eu tava passando, tudo foi exponencialmente mais emotivo. Eu tive só 39 semanas pra me despedir de uma vida que eu tava meique começando a aproveitar.

Mas como qualquer luto, foi passando. E sabe o que tinha ali me esperando?
Um pacotinho recém nascido e totalmente indefeso. É uma coisa mágica: você pega aquela bolinha quentinha, de olhinhos fechados ainda, cujo choro parece de um filhote de gato. E ele se acalma com o teu cheiro. Tem noção do poder disso?

Isso é instinto. Eu obviamente não nasci com, e definitivamente não fui criada pra tal. Mas por motivos de força maior, ele floresceu.

Pensa assim, você tá aí no teu sofá comendo um brigadeiro e vendo walking dead. Daí você pensa “nossa, tô ferradx no apocalipse porque sei lá como sobreviveria”.
Meu, você sobreviveria. É instinto. Mas você não fica usando a torto e a direito, e sim só quando a situação se apresenta.

Portanto você, migx que foi supreendida por uma gravidez não planejada. Relaxa. Vai doer muito, você vai chorar baldes ainda, mas vai passar. Não importa o outcome, você vai sair muito mais madurx no final. E depois ainda terá um bebê massa pra te fazer sorrir nos dias mais sombrios.


Outras aleatoridades: Francisquets amanhã faz 8 meses. Tá quase de pé sem apoio, e “fala” que é uma matraca. Adora bateria, adora skate, adora se ver em telas e no espelho, adora me ver trabalhando, tá com os dois dentes de baixo. Entende o comando “dança, filho!” e dança normalmente até cair. Ganhou um upgrade de banho exclusivamente no chuveiro, engatinha por TUDO e dorme 13h+ por noite. Tá totalmente gostosinho e engraçado.

Eu? Baixei minecraft e tenho perdido tempo com o celular na mão.

breves updates

Francisco fez cinco bélos, fofos e cheirosos meses semana passada. Dorme a noite toda (quase todas as noites) (um adendo – dormir a noite toda pra um bebê significa dormir 6, 8h sem mamar). Faz barulhos constantes de pum com a boca, o que resulta em trocas constantes de roupa devido a baba que não pára de escorrer. Ensaia engatinhar rolando pelo cômodo, senta sem apoio e ontem comeu uma lasquinha de banana. No banho, se agarra com todas as forças na torneira e consegue ficar de pé. As gengivas estão engrossando e logo mais imagino dentes pintando por aí. Tem personalidade forte (leia: é teimoso como uma porta) como a mãe e o pai e todos os outros familiares em volta dele.

Eu. Volto pro trabalho no fim do mês e voltei pra yoga. Um treino pra ficarmos separadinhos e também porque precisava urgentemente de paz e clareza pra minha cabecinha.

Parece que minha vida toda é o Francisco, né? Mas é mesmo, não tenho vergonha de assumir. Sou mãe, oras. Claro que sou mulher, sou namorada, sou trabalhadora, sou viciada em televisão. Mas sou mãe, acima de tudo. E com muito, muito, muito orgulho.

O que a privação de sono não faz, né?

Há algumas semanas atrás eu tava esquisita.
Comecei a pensar muito na impermanência da vida e como o tempo é relativo e como tudo que a gente faz por aqui na verdade não importa muito porque, como a vida é impermanente, quando você se vai as suas coisas ficam e as outras pessoas ficam e tudo mais segue e que tudo já está traçado e a gente não tem muita escolha, como quando você tem um filho você deixa de ser protagonista da sua vida e vira coadjuvante da vida dele e etc etc etc etc – assim mesmo. Sem pontuações e sem muito sentido, num loop doentio que não me deixavam sossegada. Uma coisa meio Isaac Brock e sua linda linda 3rd Planet. Eu não comia direito. Tava funcionando no automático. Eu não dormia.

Passei duas noites em claro. A noite inteira. Nunca havia passado por isso na vida.
Eu passei a noite em claro. Veja bem, eu. Não meu filho de 4 meses, que dormia gostosinho e quietinho no seu bercinho quentinho.

Daí obviamente meu corpo não aguentou. Pedi que a minha mãe ficasse aqui na minha casa durante um dia. E dormi. Amigs, como dormi. Acordei só pra dar de mamar e comer. Dormi até ficar com gosto de cabo de guarda-chuva na boca. Hugo chegou do trabalho, comi de novo e dormi de novo, até as 8 da manhã do dia seguinte. Foi incrível.

Minha cabeça limpou, e limpou tanto que hoje não me lembro mais dos insights doidos que tive naquela semana esquisita. Que coisa.

Agora, tópicos mais leves!
Francisco fará 5 meses na sexta-feira e está cada vez mais serelepe. Agora aprendeu a fazer pum com a boca, é o máximo. Acho que é um treino pra algum fonema porque como esse menino tá falando! É “avvvv”, “affff”, “eerrrr”, “mããã”, o dia inteiro. Também já senta sem apoio, tá rolando, olhando pra câmera da babá eletrônica (e me assustando eventualmente), atendendo pelo nome, falando com a televisão. Uma coisa mais fofa que a outra. Se afina numa sacanagem e num elogio. É um amado esse menino.

breves updates

  • Francisco agora: gargalha, vira de lado sozinho, quer ficar sentado o tempo todo, bate altos papos comigo e com o papis com seus acá e agu. Passou da fralda P pra M e tá usando roupas de 6/9 meses já. Curte ver TV, fica hipnotizado, e quase todos os dias passo a 1a lição do Muzzy pra ele (vai que né, comigo funcionou). É um sarro esse molequinho.
  • A rotina que criamos deixou bem claro os horários de mamar do dia, o que me deixa confortável pra, se precisar, sair um pouco de perto dele sem medo que ele abra aquele berreiro que eu só posso sossegar com teta. Com isso, tô ensaiando voltar a correr. Já achei meus tênis que tinha perdido no último Volta à Ilha. Sempre tem o primeiro passo, né.

Francisco diz: “cheguei estou no paraíso, que abundância meu irmão”

Quando você tá grávida descobre como nosso corpo é uma máquina incrível. A habilidade de criar uma pessoa nova do zero e tudo que isso implica é fenomenal. No meu caso o que mais me impressionou foi meu cérebro.

A partir das 36 semanas de gestação você pode ter o que se chama de falso trabalho de parto. É um treino oficial pro momento de verdade: você sente as contrações e elas podem ser bem fortes, mas não são ritmadas e um bom banho ou ducha relaxante vai fazê-las irem embora. Também existem os pródromos, que é tipo o kickstart pro negócio de verdade, e que pode ter sintomas ou não.

No dia 22 de dezembro de 2014, as 2 da manhã, eu acordei do nada. Pela 1a vez na gravidez, que nesse dia completava 39 semanas e 3 dias. Parecia que eu tava usando a cinta da feiticeira, minha barriga recebia choques do topo até o pé.
Eu sabia que era o momento de verdade. Definitivamente não era falso. Já vinha sentindo as Braxton-Hicks há algumas semanas, mas elas não eram tão intensas assim.

Baixei um app pra contar as contrações: as safadas tavam vindo ritmadas, em 5/4/3 minutos. E fortes, mas viáveis. Me tocava o tempo todo pra ver se a bolsa não tinha rompido, e necas. Resolvi acordar o Hugo, que logo me colocou no banho. “Olha, vou pro banho, mas acho que é real, hein”.

Eram 3:30 da manhã. Nada das contrações passarem ou diminuírem, mas eu tava com sono. Dormimos. Digo, fechei os olhos. Tava muito ansiosa, a dor era totalmente suportável. Eram 6h da manhã quando resolvi tomar outro banho pra ver se passava um pouco da dor nas costas que começou a incomodar e, como já era manhã, ligamos pro grupo de enfermeiras que nos auxiliariam no parto. O Hanami é uma equipe de enfermeiras que trabalha com obstetrícia e parto humanizado aqui em Florianópolis. Elas são incríveis e sem o apoio da Leti, Ju e Cecília desde o início eu e o Hugo não estaríamos tão sossegados com tudo até agora.

Logo a Leti chegou, fez o exame de toque. Estava com 3cm de dilatação, bolsa intacta, contrações ritmadas. É de verdade. Ligamos para o obstetra, que queria que eu fosse logo pra maternidade. Mas gente, sou teimosa. Óbvio que não fomos.

Lembra que falei que o que mais me impressionou na gravidez foi minha cabeça? Então, é porque a partir desse momento do trabalho de parto, eu não lembro de mais nada. Acho que meu cérebro percebeu o tamanho da dor que viria e desligou. Hoje não lembro mais exatamente como era a dor da contração, sei que obviamente doía muito, irradiava pras costas e minha única posição confortável era deitada na cama de barriga pra baixo em cima de um travesseiro. Tipo quando você tá com gases e precisa soltar, sabe? E que eu não conseguia me mexer porque parecia que eu ia rasgar ao meio.

Tem uma tática pra corridas de longa distância, pra você enganar-se e aguentar até o final, que você divide mentalmente o percurso inteiro em pedaços menores. Ao invés de pensar nos 21km que você tem pela frente, pensa em blocos de 3km ou 5km. E vai vencendo etapa a etapa. Pensei assim com as contrações: cada uma que passava era uma a menos que faltava. Ficava repetindo mentalmente “aceita que dói menos aceita que dói menos aceita que dói menos” tantas vezes que acho que isso acabou desligando meus pensamentos.

Alguns highlights (relatados pelo Hugo e pela Leti, já que eu não me lembro de nada):

  • Tentaram ativar meu trabalho de parto fazendo com que eu subisse e descesse as escadas do prédio. Desci até o 2o andar (moro no 10o) e comecei a ter contrações fortes ao subir de volta. Tão fortes que me acocorei no elevador e aparentemente me recusei a sair de lá.
  • Enquanto estive em casa, eu dormi. Às 13h eu convoquei – não pedi, convoquei – o Hugo pra que fôssemos pra maternidade porque senti que tava chegando. Ao chegar lá a internação foi um pouco demorada, o que nos fez aguardar por um tempo na recepção, ao lado da sala de parto. Minha mãe contou que a ocupante de lá berrava muito que “ia morrer”, e ela ficou com medo que eu escutasse e me impressionasse. Mamis, não sabia nem meu nome mais, quanto mais ouvir a moça urrando.
  • Essa parte eu lembro: o obstetra veio me examinar as 15h, e pedi que eu escolhesse um número entre 1 e 9. Soltei um (grossíssimo) “ai sei lá, 7″. E ele “errou, 9. você tá com 9cm de dilatação, vou preparar a sala de parto”.
  • Também lembro: queria muito fazer xixi. Tanto que as contrações não doíam mais nas costas ou barriga que fosse, doíam na bexiga. Mas não saía nada, por mais que eu tentasse. Numa das N tentativas de fazer xixi, fui sozinha ao banheiro. Hugo me falou depois que ele ficou P da vida pois pensou que me tranquei no banheiro pra ter o bebê sem ninguém junto, quando na real eu tenho certeza que só queria privacidade (sou MUITO chata com xixi). Também falou que bati altos papos com uma enfermeira sobre a minha bexiga tímida.
  • Entrando na sala de parto, lembro da mãe me falando “quando tu sair, já serás uma mami também!”. Bonitinha.
  • Na sala de parto, já quase as 16h, eu ainda não tinha feito xixi. Hugo e dr Fernando decidiram que seria melhor que uma sonda fosse passada pela uretra, pois a cabeça do Cisco tava impedindo que meu xixi saísse (êta moleque) e com a bexiga cheia daquele jeito, não sairia nem Cisco, nem xixi. Ao perguntarem o que eu achava pelo jeito eu respondi “tanto faz”. Eu não me lembro de absolutamente nada disso, Hugo falou que eu fiz muito, muito, muito xixi.

A bexiga vazia foi o gatilho, pois logo Cisco começou a coroar. Tudo que eu li sobre isso era verdade: as contrações já não doíam mais. Mas olha gente amiga, eu tava morta. Apesar de ter dormido o trabalho de parto praticamente inteiro, todo o processo tinha demandado mais do meu corpo que qualquer meia maratona tenha tomado. A parte boa foi que meu cérebro voltou a ativa e aqui eu lembro de tudo.

A contração nada mais é do que o próprio útero empurrando, então Leti me ensinou a empurrar somente quando a contração chegasse no pé da barriga. Entenda: a contração começa bem em cima, onde normalmente fica o estômago, e vai descendo até o pé da barriga como uma onda. Eu empurrando nesse momento pouparia energia, pois já estaria aproveitando a força que meu corpo tava fazendo sozinho.

Sentei no banquinho de cócoras apoiada na banheira, com o Hugo me apoiando por trás.

Essa sou eu com cara de parto.

Essa sou eu com cara de parto.

A cada contração a Leti pedia “vamos lá! Faz força de cocô!”. E a cada intervalo, eu tentava levantar e rebolar pra que a cabeça encaixasse bem certinho – na verdade, o Hugo e a Leti levantaram muito mais que eu. Eu só ria dos dois. Tava tão dopada de dor/ocitocina que ria feito boba.

Foram 54min de empurra empurra. Tenha em mente que, até aqui, minha bolsa ainda não havia estourado. Dr Fernando chegou na sala, avaliou a situação e colocou vários panos embaixo de mim. Leti pegou na minha mão e falou “Linda, na próxima contração, teu bebê já vai chegar. Força, tá no fim!”, e senti o Hugo me abraçando muito forte.
No último empurrão a bolsa rompeu, o que fez com que o Cisco viesse num jato. Dr Fernando o pegou no vôo e o colocou direto no meu colo.

Beijei as gosminhs mesmo nem ligo

Beijei as gosminhas mesmo nem ligo

Eu não pensava. Só sentia. Foi sublime. A onda de ocitocina que te invade é descomunal – só de lembrar agora, dois meses depois, fico arrepiada. Ali naquele momento eu só amava, amava tudo e a todos. Especialmente o Cisco e o Hugo, não existia mais ninguém.
E gente, deixa eu contar como essa sensação é louca. Ter filhos, família, era uma coisa que eu e o Hugo gostaríamos no futuro. Mas como quem nos conhece sabe, foi tudo de repente, da maneira mais intensa possível e obviamente não planejada. Sempre falamos um pro outro que o Cisco é a representação desse nosso amor (hihihi <3), era pra ser nós dois e agora. No momento que o Cisco chegou, não foi ele que nasceu sozinho, não foi assim tão mecânico. Nasceu um pai, nasceu uma mãe, nasceu uma família, concretizou-se um projetinho. Nada mais de antes importava. A partir dali, deixamos de ser eu e ele e viramos nós três.

oi mamain

oi mamain

Toda a equipe que nos atendeu foi mais que respeitosa. Francisco ficou no meu colo por 40 minutos enquanto a placenta não saiu, ainda com o cordão intacto. Logo já mamou por alguns minutos e dormiu um pouco (meu filho né). Então o Hugo clampeou o cordão e eu o liberei pros procedimentos da pediatra – Apgar 9/9, 3.303kg e 47.5cm de muito choro agudo e amor.

não me esmaga!

Sem laceração alguma (portanto sem suturas nem pontos nem nada), sem indução e sem analgesia, com 10h de trabalho de parto e um bebê lindíssimo que já nasceu mamando. Nem nos meus planos imaginava um parto tão ideal.

Ainda ficamos nessa onda da ocitocina por umas boas duas semanas. Ficamos e não fiquei, pois o Hugo foi tão companheiro, teve tão do meu lado que tudo que eu senti, ele sentia também, tava totalmente absorto no momento. Ele ficou 5 semanas em casa, foi a babymoon ideal: criamos nossa nova dinâmica a três e tivemos bastante tempo pra aperfeiçoá-la juntos. Tenho certeza que isso foi crucial pra não sentirmos o peso tão grande de ter um recém nascido em casa (salvo os casos óbvios de mudança, tipo menos horas de sono).

Foi assim que o Cisco chegou. Cheguei a conclusão que foi uma gama de fatores que me ajudaram a ter esse parto tão bacana – o apoio e participação incondicional do Hugo desde o 1o dia que decidimos pelo parto natural, as meninas do Hanami, nosso obstetra dr. Fernando Pupin, a equipe da sala de parto do Hospital Ilha. E também toda a preparação que nós três tivemos desde que conhecemos o parto natural, aos 4 meses de gravidez: yoga, caminhada, pilates, dieta, apoio moral, tudo. Minha cabeça tava feita desde o início, acabou influenciando o Cisco pra nos ajudar também.

Agora, vamos ver como será o do bebê nmro 2 😉

—–

Esse relato também foi publicado no site do Hanami <3

 

sobre a maternidade II

Tanto quanto o parto, quando vi o Cisco pela primeira vez e o cheiro delicioso que ele tinha assim que veio pro mundo, um momento que nunca vou esquecer foram as nossas primeiras 24 horas sozinhos com ele em casa assim que chegamos da maternidade.

Como já falei N vezes, eu e o Hugo estudamos muito durante a gravidez. Viramos CDFs, portas-bandeira do parto natural, know-it-all sobre desenvolvimento de bebês. Tiraríamos tudo de letra desde o início porque claro, nos preparamos pra caramba. O dia na maternidade foi todo tão lindo, Francisco chegou a dormir 5h sem parar na noite. Ter ele em casa, só nós três, seria mole igual sentar no pudim.

aham.

aham.

Ao pisar dentro em casa com ele, me senti um cadinho sem chão. Quando tinha saído pela porta da última vez éramos em quatro pessoas e uma barriga gigante – eu e Hugo, minha mãe e a amada Letícia, nossa enfermeira do coração. Voltamos em dois e com um ratinho nos braços. Eu sou muito chata com organização e limpeza, então obviamente falarei que a casa estava um furdunço. Perdi uma quantidade considerável de sangue no parto e tava anêmica, minha cor não era branco-leite. Era cinza-argamassa.

morta feat. bebêzinho fofo

morta feat. bebêzinho fofo

Não preciso dizer que estava meio paradona. Claro que queria limpar a casa lavar a louça colocar roupa na máquina guardar as coisas fora do lugar, mas não tinha força nem pra piscar direito. Meu corpo estava funcionando pra amamentar e só. Minha mãe queria muito, muito, muito ajudar, mas nós papis combinamos que cuidar do Cisco seria exclusividade nossa. Até porque, o que o bebê quer? Fralda limpa, colo e open bar de teta. 1/3 dessas necessidades só eu poderia suprir, as outras duas nós dividimos. Então combinamos que a mãe viria no dia seguinte nos dar uma mão com a casa e com comida.

Então, chegamos em casa eram umas 16h. Cisco dormia. Eu mais queria era tomar um belo dum banho no meu chuveiro a gás gostoso, já que o da maternidade tinha as duas temperaturas básicas de flonópx: escaldante e congelante. Entrei no banho e ele começou a chorar.

Vou resumir a partir daqui porque se eu for descrever todas as oportunidades daquele dia que nós nos mexemos e ele começou a chorar vou escrever até amanhã. Digamos que ele ~acordou~ durante a noite 7 vezes.

Das 20 às 9 da manhã, 7 vezes.
Ele não dormiu. Só queria tetatetateta. E a mamadeira humana aqui, fraca que só, ficou fazendo companhia. As 9h da manhã do dia seguinte, minha mãe chegou. Ela tem a chave de casa, então entrou sozinha e foi até o quarto ver como estávamos.

Eu deveria ter pedido que ela batesse uma foto porque aquela cena foi impagável e inesquecível pra quem a presenciou. Eu e Hugo, descabelados, sujos, suados (porque claro que fazia 2435452543 graus nesse verão delícia), eu de leite da cabeça aos pés (tenho muito leite e no começo ele vazava sem parar), lágrimas nos olhos, sentados na cama com o Francisco no nosso meio, chorando também. Eu olhei pra ela e balbuciei:

“não dormiu. cansada. suja. banho.”

Corta pra essa noite passada, 59 dias depois desse incidente. Era um ambiente novo pro pobre do nosso ratinho, ele tava ansiosíssimo. Nunca desde então ele chorou mais tanto assim. Não era fome só que ele tinha, era ansiedade, queria um dengo e a tetinha é o que o confortava mais. Hoje entendemos. E hoje, pela 3a noite seguida, ele dormiu por um intervalo de 6h e meia sem parar. Pra um bebê que vai fazer dois meses amanhã, isso é uma vitória sem tamanho.

Na única mamada dessa madrugada li um artigo sobre um aspecto negativo da maternidade que muitas mães curtem aterrorizar as gravidinhas por aí. Falo “um” e não “o” aspecto negativo porque um bebê não é um fardo, não é um problema, não vem pra diminuir o casal/família.
Ele não vem ao mundo pensando “riariaria essa tia aí tá toda resolvida com a vida dela, vou chorar feito loko pra ela não ter tempo nem pra limpar a bunda mais kkkk”. Tadinhos, eles são fetos fora do útero, precisam de apoio. Quando me falavam essas coisas durante a gravidez é claro que ficava assustada, sou humana. Mas pensava, “será que é assim mesmo? Não vou conseguir nem olhar mais pela janela sozinha? Nunca mais vou pentear o cabelo?”. Mas consegue sim, amiga. E logo. Um bebê acrescenta, aproxima todos. É difícil, mas não é nada impossível. Ninguém nunca morreu de cuidar de um bebê.

Minha cunhadinha tá grávida e, toda vez que a encontro e que falamos sobre, eu só dou um conselho pra ela. “Vai com teu instinto. Te garanto que ele não vai te enganar e vai deixar as coisas muito mais fáceis pra ti. Esquece essa avalanche de chorume que despejam na gente e escuta teu instinto”.

E use só fralda Pampers Total Confort porque ela absorve todo o xixi instantaneamente e deixa o bebê mijão 8h+ sequinho (oi Pampers precisarei de fraldas G no futuro obg).

sobre a maternidade I

Se tem uma coisa que eu gosto e sempre fiz questão foi de passar creme no corpo. Saiu do banho, toma o banho nmro 2 – de creme ou óleo. Sabe como a Amy Winehouse falava que quanto mais triste ela tava, mais alto era o cabelo dela? Então, quanto mais contente eu tô, mais curto ficar oleosa.

No segundo dia do Cisco em casa, tive meu primeiro breakdown. Foi na “hora do almoço” – 3 da tarde. Não consegui comer e fui pro banho, chorando feito uma condenada.
E isso porque constatei que não tinha mais tempo pra passar meus cremes.

Hoje, um mês depois, sozinha com ele em casa, consegui o feito. Tomei meu banho com o Creme de corps da Kiehls.

Sorri feito boba.

Chegou aquela hora que todo mundo me avisava que chegaria e eu pensava nah, tenho tempo.

Ainda não fiz chá de bebê.
Ainda não terminei o enxoval.
Ainda não acabamos de decorar o quartinho.
Ainda não fiz uma limpeza de pele daquelas.

E os movimentos dele ficam mais escassos pois tcharam, estou entrando na 32a semana e parece que vou explodir. Uma noite dessas juro que ele me deu um high five com o pé – consegui sentir a forma do pé na minha mão e era muito pequenininho e fiquei assustada.

In other news, nada mais além disso.

mal estar é um saco

No momento passo pela segunda grande leva de enjôos da gravidez.

Na primeira, muito constante, duradoura e de fraca intensidade, parecia que eu tinha engolido uma tufo enorme de cabelo que ficava varrendo meu estômago.

Agora na segunda, menos frequente e intensidade bem maior, a melhor descrição é que eu lambi um cabo de guarda chuva sujo por muito tempo e logo após tomei um golão de perfume.

Veja bem, tudo muito agradável.