Sobre descobrir que se está grávida

A coisa mais interessante (não vou começar esse texto com um “é engraçado” porque por mais contente que você fique, não tem nada de engraçado no susto que essa notícia causa) que aconteceu foi que automaticamente – e eu ju-ro, automaticamente – N preocupações vazaram da minha cabeça. E não só preocupações bobas, como “estou gorda” “fulano não fala mais comigo” “preciso treinar estou ficando mole”, mas também preocupações importantes como “preciso comer pois estou há 12 horas sem colocar nada na boca” e “preciso entregar o cronograma de entregas pra cliente X senão perderei trabalho”.

Como se além do meu corpo a minha cabeça já tivesse limpando espaço pra ser mãe.
Sempre pensei que, ao descobrir, meu primeiro pensamento seria “afe que gorda que eu vou ficar, fecha essa boca”. Mas não, foi exatamente: “preciso limpar o quartinho pra transformar num quarto de bebê”.

Hormônios, esses loucos.

Outra coisa interessante é que, no 1o dia que descobri, me senti muito sozinha. Muito. Eu sempre fui solitária, independente, até arredia – ou “antisocial e psicopatinha”, como meus amigos gostam de colocar às vezes. Mas a solidão era imensa, me senti desamparada. Por mais que o namorido/pai do bebê estivesse ao meu lado 24×7, me sentia vulnerável. Só chorava e não era pelo susto, era por “estar sozinha”. Fiquei caminhando no centro da cidade (chorando feito louca, veja bem), parando na frente dos prédios que eu morei e onde meus melhores amigos moraram e ficava chorando, a ponto de estranhos pararem pra perguntar se estava tudo bem.

No meio do meu rio de lágrimas lembrei que o Hugo adora meu bolo de cenoura, e a gente não tem forma furada. Parei de chorar, comprei uma forma, voltei a chorar. Ao chegar em casa vi que estava enganada – a gente já tinha uma forma.
Claro, voltei a chorar pelo dinheiro gasto em vão.

Mas logo depois essa sensação de vazio passou. E não só no momento que contamos aos pais, foi logo antes. Sou filha única, parei pra analisar meus amigos e quais deles a futura pessoa podia considerar como tios pela minha parte, e qual foi minha surpresa que ultrapassaram as duas mãos cheias (ai que cafona). Me senti bem.

  • tati kito

    de todas as jornadas que você poderia escolher pra narrar, escolhesse a mais louca! tô muito feliz de acompanhar essa loucuragê! parabéns nanda e hugo!
    <3 welcome feijãozinho <3

  • http://www.paulacipriani.com.br Paula Cipriani

    Vi isso agora e chorei! Como passa rápido, e Cisco já tá aí :)))