sobre a maternidade II

Tanto quanto o parto, quando vi o Cisco pela primeira vez e o cheiro delicioso que ele tinha assim que veio pro mundo, um momento que nunca vou esquecer foram as nossas primeiras 24 horas sozinhos com ele em casa assim que chegamos da maternidade.

Como já falei N vezes, eu e o Hugo estudamos muito durante a gravidez. Viramos CDFs, portas-bandeira do parto natural, know-it-all sobre desenvolvimento de bebês. Tiraríamos tudo de letra desde o início porque claro, nos preparamos pra caramba. O dia na maternidade foi todo tão lindo, Francisco chegou a dormir 5h sem parar na noite. Ter ele em casa, só nós três, seria mole igual sentar no pudim.

aham.

aham.

Ao pisar dentro em casa com ele, me senti um cadinho sem chão. Quando tinha saído pela porta da última vez éramos em quatro pessoas e uma barriga gigante – eu e Hugo, minha mãe e a amada Letícia, nossa enfermeira do coração. Voltamos em dois e com um ratinho nos braços. Eu sou muito chata com organização e limpeza, então obviamente falarei que a casa estava um furdunço. Perdi uma quantidade considerável de sangue no parto e tava anêmica, minha cor não era branco-leite. Era cinza-argamassa.

morta feat. bebêzinho fofo

morta feat. bebêzinho fofo

Não preciso dizer que estava meio paradona. Claro que queria limpar a casa lavar a louça colocar roupa na máquina guardar as coisas fora do lugar, mas não tinha força nem pra piscar direito. Meu corpo estava funcionando pra amamentar e só. Minha mãe queria muito, muito, muito ajudar, mas nós papis combinamos que cuidar do Cisco seria exclusividade nossa. Até porque, o que o bebê quer? Fralda limpa, colo e open bar de teta. 1/3 dessas necessidades só eu poderia suprir, as outras duas nós dividimos. Então combinamos que a mãe viria no dia seguinte nos dar uma mão com a casa e com comida.

Então, chegamos em casa eram umas 16h. Cisco dormia. Eu mais queria era tomar um belo dum banho no meu chuveiro a gás gostoso, já que o da maternidade tinha as duas temperaturas básicas de flonópx: escaldante e congelante. Entrei no banho e ele começou a chorar.

Vou resumir a partir daqui porque se eu for descrever todas as oportunidades daquele dia que nós nos mexemos e ele começou a chorar vou escrever até amanhã. Digamos que ele ~acordou~ durante a noite 7 vezes.

Das 20 às 9 da manhã, 7 vezes.
Ele não dormiu. Só queria tetatetateta. E a mamadeira humana aqui, fraca que só, ficou fazendo companhia. As 9h da manhã do dia seguinte, minha mãe chegou. Ela tem a chave de casa, então entrou sozinha e foi até o quarto ver como estávamos.

Eu deveria ter pedido que ela batesse uma foto porque aquela cena foi impagável e inesquecível pra quem a presenciou. Eu e Hugo, descabelados, sujos, suados (porque claro que fazia 2435452543 graus nesse verão delícia), eu de leite da cabeça aos pés (tenho muito leite e no começo ele vazava sem parar), lágrimas nos olhos, sentados na cama com o Francisco no nosso meio, chorando também. Eu olhei pra ela e balbuciei:

“não dormiu. cansada. suja. banho.”

Corta pra essa noite passada, 59 dias depois desse incidente. Era um ambiente novo pro pobre do nosso ratinho, ele tava ansiosíssimo. Nunca desde então ele chorou mais tanto assim. Não era fome só que ele tinha, era ansiedade, queria um dengo e a tetinha é o que o confortava mais. Hoje entendemos. E hoje, pela 3a noite seguida, ele dormiu por um intervalo de 6h e meia sem parar. Pra um bebê que vai fazer dois meses amanhã, isso é uma vitória sem tamanho.

Na única mamada dessa madrugada li um artigo sobre um aspecto negativo da maternidade que muitas mães curtem aterrorizar as gravidinhas por aí. Falo “um” e não “o” aspecto negativo porque um bebê não é um fardo, não é um problema, não vem pra diminuir o casal/família.
Ele não vem ao mundo pensando “riariaria essa tia aí tá toda resolvida com a vida dela, vou chorar feito loko pra ela não ter tempo nem pra limpar a bunda mais kkkk”. Tadinhos, eles são fetos fora do útero, precisam de apoio. Quando me falavam essas coisas durante a gravidez é claro que ficava assustada, sou humana. Mas pensava, “será que é assim mesmo? Não vou conseguir nem olhar mais pela janela sozinha? Nunca mais vou pentear o cabelo?”. Mas consegue sim, amiga. E logo. Um bebê acrescenta, aproxima todos. É difícil, mas não é nada impossível. Ninguém nunca morreu de cuidar de um bebê.

Minha cunhadinha tá grávida e, toda vez que a encontro e que falamos sobre, eu só dou um conselho pra ela. “Vai com teu instinto. Te garanto que ele não vai te enganar e vai deixar as coisas muito mais fáceis pra ti. Esquece essa avalanche de chorume que despejam na gente e escuta teu instinto”.

E use só fralda Pampers Total Confort porque ela absorve todo o xixi instantaneamente e deixa o bebê mijão 8h+ sequinho (oi Pampers precisarei de fraldas G no futuro obg).

  • http://mais20min.com.br Letícia

    desculpa, mas eu ri com o open bar de teta. e certamente: a gente que é a gente fica mega assustado quando sai de casa, imagina um bebê que chegou nesse mundão véio de meu deus? nós também choramos haahha